Thursday, July 23, 2020

desconfinar

Costumo contar os dias desde o início desta loucura, quando ligo o Mac e ele me informa que há cento e tal dias que não faço backup. Sei que existem cerca de 2/3 dias de diferença entre o dia 16 de Março, data real em que comecei o confinamento, e a data em que fiz o backup do disco.
É surreal pensar que já estamos a chegar a Agosto. Entretanto, já alguma coisa de diferente aconteceu na minha vida. Desconfinei dia 20 de Junho. Já não aguentava mais e, com algum forcing da Margarida, lá saí de casa e fui finalmente ao Crow's. Muita gente, estava muito ansiosa. Acabei por ficar para jantar e acabou por ser uma noite completamente inesperada. Foi bom sentir um ar de liberdade.
No início deste mês, fiz férias com os meus pais. Há pelo menos 20 anos que nao fazíamos férias os 3. Foi bom. Foi uma semana de natureza, rio e muita introspecção. 
A minha situação profissional tornou-se pior. Não sei bem como será depois de Outubro.
Neste momento vivo uma intermitência de vida.Os cuidados são muitos mas honestamente já estou por tudo. É super injusto ter de levar novamente com uma enorme cacetada. Vejo-me novamente dependente dos meus pais. 
Entre crises e recessões e eu sei lá, 2020 é o ano do virus que veio parar o mundo.
Neste momento tento aproveitar dias de sol e é a única coisa que me dá alento para seguir em frente num futuro muito turvo.

Friday, June 12, 2020

avesso

Há algum tenpo que estava para escrever. Queria esperar pelo dia de amanhã pois faz 90 dias que pelo menos para mim, o mundo parou, a minha vida parou e mudou. Neste momento tenho uma vida que nunca quis ter, uma vida aborrecida onde não saio de casa, não tenho vida social, não tenho concertos, não tenho festas, não tenho jantares, nem noitadas. O meu quotidiano agora é trabalhar na varanda do quarto e quando acabo, vou para o sofá da sala. Volta e meia dou um passeio e é basicamente isto. Sinto-me dormente, desmotivada e desanimada. Não estou com ninguém, pouco falo com pessoas. Muita gente já voltou a uma normalidade, eu ainda não tive coragem para ir beber um copo ao Crow's. Recebi o primeiro abraço no Domingo passado no funeral do pai da Inês. Descompensei muito, aquele abraço inesperado deixou-me em lágrimas. Disse ontem à Andreia que, se fosse para a minha vida ser assim nesta condição, preferia morrer. Para quê viver sem poder realmente viver? Não estou com tendências suicidas mas estou a desesperar por um normal a que estava habituada. O que é certo é que o mundo está de pernas para o ar e aminha vida do avesso.

Thursday, May 14, 2020

sessenta

Só agora ao final do dia é que me caiu a ficha que já estou há 60 dias em casa, sozinha. Agora percebo esta ansiedade toda e esta inquetação.

Wednesday, May 6, 2020

adaptações

Na segunda feira dia 4 de Maio, nos meus 50 dias em casa, foi levantado o estado de emergência em Portugal. Estamos agora em Estado de Calamidade. O nome soa bem pior mas supostamente as medidas estão a ficar mais leves. Pequenos comércios e lojas a abrir etc. Não me sinto nada segura de voltar a um normal porque o vírus ainda aqui está e ainda mata. Nada será igual ao dantes. É surreal termos de andar de máscara, parece que estamos a ver um filme apocalíplico... Desde 30 de Abril, dia em que fui ao estúdio buscar o computador, monitor e a minha tralha, que trabalho em casa oficialmente. Tenho aqui o meu escritório montado na varanda do quarto, está catita. Ao menos tenho vista desafogada para a Serra. No estúdio anterior não tinha vista para lado nenhum sequer. Agora organizo o meu tempo da melhor forma. O futuro, esse continua muito incerto. Com fronteiras fechadas e proibições de eventos, não vejo nada a acontecer este ano. Tento não pensar muito...

Monday, April 27, 2020

infinito

43 dias em casa. Nem acredito que já passou tanto tempo. Na verdade já me estou a habituar a estar a trabalhar de casa. Não é tão mau como eu pensei. Pensei que não me adaptasse na medida em que não iria fazer nada o dia todo. O que realmente acontece é que consigo organizar o meu tempo da melhor forma, em vez de estar 8h enfiada no estúdio. Na semana passada tive cá a Clara. Passando a barreira dos 30 dias comecei a sentir muito ansiedade de estar sozinha e resolvi pedir para ter a cadela cá em casa. Foi uma semana boa. De companhia e novas rotinas. Já a fui entregar porque também ela precisa do espacinho dela e do quintal. Foi bom, sinto-me melhor.
Nem tudo é mau mas futuro avizinha-se complicado. Em breve será levantado o  estado de emergência e as coisas vão muito lentamente a voltar a uma ideia de normal. Nada será como dantes. eu cá já ando a magicar como montar um escritório na varanda do quarto. A partir desta semana vou sair todos os dias depois do almoço para dar uma volta, espairecer e apanhar ar e sol.

Wednesday, April 8, 2020

invisível

Dia 23 de quarentena e o sentimento que existe é o da resignação porque não me parece que haja alterações tão cedo. Só saio à rua 1x por semana e somente se for estritamente necessário. Queria muito dar um passeio e panhar sol mas a ansiedade que existe em pôr os pés fora de casa é enorme. Quando tenho de ir a algum lado, na noite anterior não durmo bem. Ontem fui recolher as compras ao Jumbo, não estive dentro do supermercado. Estive perto de duas funcionárias, ninguém usava máscara. A minha preocupação ao deitar era de ter de limpar item um-a-um com lixívia quando cá chegasse a casa. Pensar mil vezes: não tocar com as mãos na cara, não tocar nos óculos, não mexer em nada. Que presadelo. Depois de ter ido levar as compras a casa dos meus pais, consegui com uma força sobre-humana carregar com os sacos todos para evitar duas viagens ao carro. Infelizmente tive de entrar no elevador, coisa que já não fazia ha 21 dias. Mais uma vez, não tocar em nada! Chegar a casa e limpar tudo muito bem e pacientemente. Este virus não se vê, não existem zombies que pudessemos fugir deles. Antes fosse, era tão mais fácil. Mas não. É algo invisível que só se manifesta cerca de 4 a 5 dias depois. Ou seja a minha quarentena fez reset e começo do zero novamente. E rezo para estar bem e para que os meus pais também tenham cuidado e que os meus amigos estejam também bem. Têm sido umas últimas semanas um pouco complicadas, muita coisa a acontecer ao mesmo tempo. Com isto tudo até dou graças por estar habituada a estar sozinha, caso contrário estava tramadíssima.

Tuesday, March 24, 2020

pormenores

9 dias de quarentena e o sentimento que existe é que isto vai ser para durar. Esta manhã bem cedo fui a casa dos meus pais, que já não estava com eles pessoalmente há quase 2 semanas. Não entrei, fiquei à porta,  não houve abraços nem beijinhos mas ao menos matei saudades da Clara. Trouxe umas coisas que precisava. Finalmente os meus pais deram uso aos anos de consumo de promoções em demasia. No caminho de casa aproveitei, já que a padaria está aberta para take away, e comprei pão fresco e um pastel de nata. Uma maravilha, um luxo nos dias que correm. Ao menos depois disto tudo, vamos dar mais valor às pequenas coisas. Parece que estamos em tempos de guerra. Ter medo de sair de casa porque nem é suposto, filas espaçadas, racionar alimentos e outros produtos... Fez-me bem apanhar ar fora de casa. Acho que consegui uns 10 minutos de vitamina D. Esta alteração de rotina diária vai-me dar algum alento para os próximos dias